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Era uma vez três: diversidade, leitura e práticas pedagógicas na perspectiva da lei 11.645/08

Curso de atualização (carga horária: 59:30) oferecido no 2º semestre letivo de 2017 em parceria entre Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas; Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa; CELP (Centro de Estudos das Literaturas e Culturas de Língua Portuguesa) da FFLCH/USP e pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) Brasil-África.

O curso objetiva apresentar aos professores do Ensino Infantil e Fundamental I referências e abordagens possíveis para a discussão das literaturas africanas, afro-brasileiras e indígenas direcionadas para o público infantil e juvenil. Objetiva ainda explorar outras dimensões da cultura, como música, religiosidade, jogos e danças, que possam ampliar o repertório de referências para o cumprimento da Lei 11.645/08. Além disso, tem como propósito oferecer uma fundamentação teórica que possa embasar a ação pedagógica dos educadores para o cumprimento da lei que determina a inclusão de temas referentes à história e culturas da África e dos africanos, história e culturas afro-brasileiras e indígenas nos currículos escolares.

 

PROGRAMA

1ª aula – 05 de agosto de 2017 – 9h00 -13h30
Um século de Literatura Infantil Brasileira: um panorama de produções e reflexões
Século XX. No ano 1920, a publicação de A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato, inaugura a Literatura Infantil Brasileira. A partir desse marco inicial, a aula tem por objetivo propor uma visão panorâmica da nossa literatura infantil, estimulando reflexões sobre a importância do gênero, (re)apresentando alguns conceitos fundamentais para sua compreensão.
Ministrante: Fabio Eduardo Muraca
 
2ª aula – 12 de agosto de 2017  – 9h00 -13h30
Leitura, afeto e identidade leitora
Que mapas afetivos desenhamos com as nossas leituras? A partir da leitura e análise do conto Inventário de imóveis e jacentes, do moçambicano Luís Bernardo Honwana, e do livro infantil Esperando a chuva, de Veronique Vernette, pretendemos suscitar reflexões acerca da identidade leitora e da importância do exercício crítico de educadoras e educadores em seu processo de planejamento, execução e avaliação de atividades de leitura voltadas aos educandos sob a perspectiva da lei 11.645/08.
Ministrante: Denise Censi
 
3ª aula – 19 de agosto de 2017 – 9h00 -13h30
Multiletramentos e as tecnologias
A partir do conceito de letramento, apresentado por Magda Soares (1998), diferenciá-lo dos conceitos de analfabetismo e alfabetização a partir de Rojo (2009). Ampliar a discussão, apontando os conceitos de novos letramentos, a partir de Lemke (2010), apresentando a nova mentalidade de multiletramentos. Neste contexto, discutir a relação dos novos multiletramentos com os letramentos convencionais escolares e de que forma eles podem contribuir para a educação. É possível ainda, conhecer ou aprofundar a discussão e os conhecimentos dos multiletramentos por meio do uso de TDICs com a prática formativa a partir da apresentação e da discussão de uma sequência didática digital e interativa produzida para professores de Ensino Fundamental I sobre lendas ou contos clássicos.
Ministrante: Camila Castro
 
4ª aula – 26 de agosto de 2017 – 9h00 – 13h30 
O Jongo de Piquete
O encontro será conduzido por Gilberto Augusto da Silva, mestre jongueiro de Piquete, cidade que recebeu muitos negros libertos após a Abolição e que tem o Jongo como manifestação cultural de afirmação da identidade negra e da memória viva que se faz resistência. A aula se propõe elaborar um espaço de discussão e de reconhecimento da cultura jongueira a partir dos pressupostos da Lei 11.645/08. 
 
5ª aula – 02 de setembro de 2017 – 9h00 -13h30
Memória e história como resistência: narrativas, biografias e autobiografias
O encontro se propõe discutir o direito à memória e ao registro significativo das biografias, histórias e expressões culturais que envolvem não só nomes já reconhecidos das literaturas, das artes e da historiografia. A aula pretende discutir estratégias para pensar a escrita das biografias e das narrativas de memória que contemplem personagens e expressões culturais próximas do cotidiano dos educandos e educadores, e que valorizem as referências da cultura afrobrasileira e da resistência negra no Brasil. Nesse sentido, o diálogo com o Samba Lenço e com os processos de transmissão dessa tradição sustentada principalmente por mulheres negras vindas do interior paulista para a periferia da capital servirá como importante ponto de apoio para pensar a biografia e as narrativas de personagens pouco conhecidas, mas cuja importância para a memória da resistência negra pode ser ressaltada. Caixas de memórias com cartas, diários, fotos e objetos pessoais serão elementos importantes para pensar a memória que também pode expressar seu interesse e significância como autobiografia.  
Ministrantes: Rosemeire da Silva Vargas, Maria Paula de Jesus, e Rosana Baú Rabello
                                      
6ª aula – 16 de setembro de 2017 – 9h00-13h30
Mulheres negras escritoras, histórias que se cruzam: um olhar atento sobre as questões de gênero, raça e classe na atualidade
No encontro, o texto literário será pensado como território político e de disputa com aspecto biopsicossociais.  Nesse sentido, abordaremos a importância da literatura como espaço de ação política para o enfrentamento do sexismo, do racismo e da hierarquia de classe e discutiremos a psicologia enquanto ciência crítica e engajada na sociedade. Serão analisados criticamente contos de escritoras negras contemporâneas com vistas ao lugar da mulher negra na sociedade de classes e à compreensão da violência contra a mulher no patriarcado. A partir dessas análises, serão realizadas propostas para uma educação voltada para o debate de gênero, raça e classe na sala de aula. Processos de resistência e de ação política, assim como a importância política e social do ativismo de intelectuais e de escritoras negras também serão temas abordados no encontro.
Ministrante: Ianá Souza
 
7ª aula – 23 de setembro de 2017 – 9h00-13h30
Literatura, jogos e brincadeiras
No encontro, apresentaremos diferentes possibilidades de abordagens e práticas pedagógicas que consigam acessar, por meio da poesia, da literatura, dos jogos e das brincadeiras, referências às culturas e às histórias africanas, afro-brasileiras e indígenas. Entendemos que esses elementos podem constituir-se como importantes dispositivos da educação para as relações étnico-raciais e que a experimentação do aprendizado lúdico, da leitura compartilhada de textos e da recreação podem tanto proporcionar a valorização da identidade étnico-racial negra e indígena, como também possibilitar o aprendizado dessas referências como experiência partilhada.
Ministrante: Rosana Baú Rabello
 
8ª aula – 30 de setembro de 2017 – 9h00-13h30
América Latina: contos e encantos.
A partir do livro A Flor de Lirolay e outros contos da América Latina, de Celina Bodenmüller e Fabiana Prando, abordaremos temas pertinentes ao trabalho em sala de aula, tais como:  cultura popular, narração de histórias, o processo de colonização e a permeabilidade do imaginário entre outros. O livro traz 22 contos da tradição oral dos países latino-americanos e um apêndice com informações e curiosidades sobre o continente, seus povos e costumes. A experiência da autora na pesquisa, escrita e narração das histórias da coletânea enriquecerão o encontro. Uma oportunidade ímpar de compartilhar, aprofundar e multiplicar essa vivência. Os educadores serão portadores dessa paixão por nosso continente de muitas vozes, cores, tradições e histórias. Somos loucos por ti, América!
Ministrante: Fabiana Prando
 
9ª aula – 07 de outubro de 2017 – 9h00-13h30
O lugar da poesia no mundo e na formação de crianças leitoras
Um breve panorama dos estudos sobre leitura no Brasil revela o triste cenário no qual a leitura de poesia tem cada vez menos adeptos, reiterando o caráter de resistência que tem marcado historicamente o gênero (BOSI, 1996).  Diante desse quadro, este encontro propõe discutir o lugar da poesia no mundo contemporâneo e na formação de crianças leitoras. Serão, portanto, estimuladas leituras e reflexões acerca de poemas que articulem subjetividades e identidades sociais na relação entre produção e recepção, destacando imagens da infância presentes nos textos. Assim, voltado a princípio para as especificidades da poesia, pretende-se ainda problematizar as suas fronteiras em relação aos demais gêneros, evidenciando perspectivas libertárias tanto na forma quanto no conteúdo de poemas produzidos por poetas afro-brasileiros, africanos e indígenas, considerando as demandas educacionais da lei 11.645/08.
Ministrante: José Welton Ferreira Jr.
 
10ª aula – 21 de outubro de 2017 – 9h00-13h30
A aula tem por objetivo apresentar referências das literaturas afro-brasileiras e africanas de língua portuguesa e promover o conhecimento da obra dos autores por meio de alguns textos literários selecionados para o encontro. A seleção dos textos foi regida sobretudo pelo critério de representatividade (das obras e dos autores) e pelo interesse que os textos possam despertar nos professores e nos estudantes que começam a familiarizar-se com as literaturas africanas.                 
Ministrante: Maria Paula de Jesus
 
11ª – 11 de novembro de 2017 – 9h00-13h30
Escuta, mediação e diálogo
Pretende-se discutir a importância da escuta, da conversação literária, da mediação e do registro para um significativo trabalho com a leitura e com a formação do leitor. "Quando escutamos a maneira singular com a qual as crianças nomeiam o mundo, colocamos em saudável tensão nossas fibras interpretativas", diz Cecilia Bajour no livro "Ouvir nas entrelinhas - o valor da escuta nas práticas de leitura" (editora Pulo do Gato, 2012). Essa escuta, observação e abertura para dialogar com o texto e com as interpretações das crianças são elementos importantes do trabalho de mediação de leitura. O encontro será permeado por essa reflexão e pelo debate sobre práticas para a interlocução com o aluno a partir de textos, vivências, experiências, memórias partilhadas e encontros significativos com a cultura e a história africana, afrobrasileira e indígena.  Será proposta ainda uma avaliação do curso e um diálogo para partilhar experiências no campo da educação e da atuação dos professores para o cumprimento da lei 11.645/08.   
Ministrantes: Maria Paula de Jesus e Rosana Baú Rabello